POR CAROLINE DURAND
A maneira como o jornalista retrata a realidade, hoje e no passado, foi o tema central no Grupo Temático Jornalismo e Linguagem do Congresso. Cerca de 20 pessoas, entre estudantes de jornalismo, repórteres, alunos de doutorados e mestrados participaram do GT no último dia do evento.
Primeira a apresentar seu trabalho de pesquisa A crônica e o Jornalismo, a doutoranda da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Silvânia Siebert, criou polêmica. "A crônica, antes de ser um gênero literário, é jornalístico", declarou. Ela explicou que desde o início do século XIX, o estilo é publicado em jornais, tratando do cotidiano das pessoas. "A reportagem mostra a realidade do fato, o cronista fala o que pensa, o que diferencia os dois gêneros", discordou um dos repórteres presentes.
Após essa opinião, compartilhada por escritores, algumas das pesquisadoras de comunicação selecionam o que é importante e como o escrevem comprovam a subjetividade intrínseca à matéria. Outra expositora, Ângela Aguiar, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), disse que existe a ilusão da objetividade, mas que precisa existir. Ela compartilhou a conclusão de (In)diretas quae sera tamen: movimento(s) deconciliação no discurso jornalístico sobre as diretas.
Fernanda Carrera, mestranda da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi a segunda a se apresentar, com o trabalho A evolução do sentido da notícia: um estudo sobre o percurso discursivo das matérias significantes no jornalismo impresso. Com uma análise histórica, Fernanda concluiu que atualmente, o que diferencia os jornais é a linguagem, pois o conteúdo a maioria dos impressos consegue, então, é o mesmo.
Giovanna Benedetto, da Unicamp, mostrou as contradições de dois impressos do século XIX que se diziam lutar pela independência do Brasil. Mas, segundo a análise feita em A (In)dependência da imprensa brasileira no século XIX: os discursos do Revérbero Constitucional e da Gazeta do Rio de Janeiro, o discurso e a linguagem demonstravam ligação ainda com a monarquia, quando, por exemplo, elogiavam o rei.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
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