segunda-feira, 19 de maio de 2008

A ficção no cinema

POR JAQUELINE DEISTER

A importância da literatura no cinema, do filme como retrato da sociedade e o efeito de realidade causado pela película foram os temas abordados na palestra do dia 15 de maio, Cinema:entre a ficção e a história.

Apesar do não comparecimento dos palestrantes mais aguardados, os professores Ismail Xavier (USP) e João Luiz Vieira (UFF), o auditório Paulo Freire, localizado no 3º andar do Bloco C no campus do Gragoatá, teve boa parte das suas cadeiras preenchidas por estudantes até o fim do evento.

A necessidade do cinema e da literatura recorrerem ao mito para focalizar a História foi defendida pela Prof. Dr. Vera Lucia (PUC-Rio). "O mito facilita a recriação de um espaço-tempo próprio do cinema, em que o presente o passado e o futuro podem dividir a mesma cena", disse Vera que traçou um paralelo entre a obra literária Iracema (1865) de José de Alencar e o filme Brava Gente Brasileira (2000) da cineasta Lucia Murat . Vera mostrou como a mesma Iracema de Alencar está presente ainda hoje nas obras de ficção do cinema e da literatura só que com ideais diferentes. E como que a recriação de obras mais antigas e atuais tem dificuldade em dialogar com a História, e buscam se apoiar em mitos para "construir" o efeito de real.

A doutora em Cinema Mariana Baltar, da UFF, abordou as dicotomias Real x Espetáculo e os travelogs, gênero muito popular nos anos 30 em que espécies de expedições eram documentadas e levadas para as "telonas". Mariana disse que o real junto com o entretenimento cria o maravilhar-se, e que o travellog é a descrição como forma de mostrar esse real. "O travelog convida o espectador a estabelecer um vínculo com o que está sendo visto", afirmou Baltar.

Para concluir a mesa, o estudante do doutorado em Cinema da UFF, Ivan Cappeler apresentou parte da sua tese. O estudo de Cappeler pretende mapear a relação do cinema com a História sem descaracterizar o cinema como meio de comunicação. "A abordagem da história no filme é uma questão técnica do cinema. Na verdade, consiste em pegar um determinado tempo, o fixar e reproduzi-lo buscando causar impacto na audiência” disse Cappeler. O doutorando pela UFF ainda destacou a importância do investimento em cinematecas e arquivos para preservar os filmes que são o 'retrato' de uma época", concluiu.

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