segunda-feira, 19 de maio de 2008

Professores em busca de novas tendências

POR IURY

No dia de estréia do VI Congresso Nacional de História da Mídia, a mesa mediada pela Professora Ana Lúcia Silva Enne, da Universidade Federal Fluminense (UFF), lotou o auditório Florentan Fernandes. Em discussão, as tendências futuras em um colóquio sobre mídia e história.

A professora do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ana Maria Mauad, apresentou a relação entre a prática fotográfica contemporânea e os tempos históricos inscritos, através de referências intertextuais.

- Os fatos e fotos relacionados por contexto, consumo e memória social são formas de conhecer, identificar e comunicar. As fotos se inserem na história e em sua leitura, é como se fosse a ponta de um iceberg, pois puxa o momento na mente do espectador – explica a doutora em História Social e pós-doutorado no Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP).

Pesquisadora do Laboratório de História Oral e Imagem da UFF desde 1992, Ana Maria Maud disse que a foto é estável nos tempos modernos e continua a nos emocionar e fez a diferenciação de três tipos de tempos históricos.

- Tem-se o tempo atribuído, quando as datas revelam mais que vestígios, elas são semelhantes ao acontecimento. O tempo vivenciado encontrado no regime da instantâneidade onde a foto pode entrelaçar narrativas sociais e o tempo incorporado existente no "concerned photograph", o jornalismo heróico – analisa Ana Maria Mauad.

Ana Paula Goulart Ribeiro fez um balanço teórico e metodológico do bicentenário da imprensa no Brasil. Doutora em Comunicação e Cultura e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Paula afirma que devido ao aniversário do jornalismo brasileiro em 2008, novos trabalhos e pesquisas trazem mais visibilidade à Comunicação Social.

- As análise da comunicação privilegia problemas contemporâneos. Na História, a mídia é tratada como fonte menor, são fontes históricas, documentações.

Para a professora, o encontro serviu para aprofundar os debates em torno de questões teóricas e metodológicas para os historiadores de comunicação da mídia, assim como apontar o crescimento das pesquisas não correspondeu ao amadurecimento das reflexões.

- São poucas as pesquisas comparativas e poucos os trabalhos de síntese. Se esgota-se em si mesmo, não ajuda no desenvolvimento do campo. O caráter descritivo é mais forte que o caráter analítico – observa Ana Paula Goulart.

O meio de comunicação mais popular é o rádio. E esse é o alvo dos estudos de Sônia Virgínia Moreira, mestre em Jornalismo pela Universidade do Colorado, nos EUA, e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) também presente na mesa de debates. Ela apontou o rádio como objeto de investigação crescente não só em comunicação, mas em outras áreas de conhecimento.

- Nós já temos outro dado frente ao feito anteriormente. A Academia achava que o rádio não era objeto de pesquisa. Os primeiros estudos ocorreram nos meados da década de 1980 para 1990, referentes à História do Rádio – critica Sônia Moreira.

Com vários livros na área de radiodifusão, ela abordou a questão do uso político do rádio, ponto importante já que narra experiências reais afetadas pela memória e envolvimento pessoal com fatos e personagens integrantes da narrativa.

- Em um primeiro momento, os políticos eram donos de rádio. Em um segundo momento, os radialistas se elegem políticos e legislam em causa própria e, o quadro mais atual, políticos se elegem pelo rádio, mas não se envolvem com o veículo – denuncia Sônia Virgínia Moreira em sua apresentação.

Mídia e Língua são campos intercruzados, por isso, Lúcia Maria Alves Ferreira estuda a discursivização da história do presente da mídia impressa. Docente no Programa de Pós-Graduação em Memória Social pela Universidade do Rio de Janeiro (UniRio), ela também coordena o projeto Representações nos Discursos Midiáticos. Lúcia Maria tem como foco o caso da troca de reféns mantidos presos pela Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Segunda a lingüista, o que se narra é o pré-fato porque a troca não ocorreu até hoje.

- A mídia tem feito a história e não tem reproduzido os fatos. O discurso do jornalismo aciona a memória constituída e o faz trabalhar a seu favor ao consultar especialistas, por exemplo – conclui a lingüista da UniRio.

Com o bicentenário da imprensa no Brasil, novos olhares são lançados na Comunicação Social e percorrem meios conhecidos, como o rádio, mas sob novas perspectivas. A fotografia e o discurso das grandes cadeias de informação incorporam teorias e metodologias de análise. As tendências futuras dos historiadores da mídia estão a pleno vapor.

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