segunda-feira, 19 de maio de 2008

Goiabada de Marmelo

POR ALUISIO PEIXOTO

Monteiro Lobato, MPB, e "Geração 80" foram temas presentes na quinta sessão do Grupo de Trabalho sobre a História das Mídias Audiovisuais, na quinta-feira, dia 15. O GT contou com cinco apresentações que versaram sobre diversos assuntos, desde estudos de caso de programas televisivos até pesquisas sobre como se dá a recepção pelo público das mídias audiovisuais.

Maria Ana Quaglino abriu o GT fazendo uma análise da primeira versão do programa Sítio do Picapau Amarelo, dirigido por Júlio Gouveia e Tatiana Belinky nos anos de 1950 e 1960. Maria Ana comparou as representações de idade, gênero e raça no trabalho original de Monteiro Lobato com as presentes na adaptação para a TV.

Entre as questões relativas às visões políticas de cada versão, a autora observou que Lobato se mostrava favorável a um governo aristocrático e era benevolente em relação à escravidão. Já Gouveia e Belinky atacavam as formas autoritárias de governo e defendiam a República. Além disso, colocavam a questão da democracia na fala dos personagens (principalmente da Emília, que tornou-se o personagem central na versão televisiva).

A visão de cada um em relação aos gêneros também foi abordada. Enquanto nos livros os papéis masculino e feminino eram bem definidos - o Pedrinho ia caçar sacis sozinho e Emília e Narizinho eram boas nas tarefas domésticas - na televisão todos participavam das aventuras e Emília adotava uma postura radical contra o machismo.

Por fim, analisando a questão das raças, Ana Maria observou que Lobato reproduzia a mentalidade de sua época que acreditava na inferioridade dos negros e mestiços, retratando-os de maneira pejorativa. Na TV, a discussão a respeito do racismo foi silenciada, mas houve inclusão de elementos culturais africanos em alguns episódios.

Em seguida, Marildo José Nercolini fez uma análise da relação que a televisão estabeleceu com a MPB, especialmente a partir dos anos 60. Uma utilizou a outra como forma de ampliar seu público - a TV absorveu uma audiência originalmente ligada ao rádio, enquanto a Música Popular brasileira deixou de ficar restrita apenas aos círculos universitários.

Nercolini observou que, nessa época, a MPB buscou resgatar o apuro estético da bossa nova, mas também passou a se preocupar com o conteúdo, que precisava ser revolucionário ou, pelo menos, estar a serviço da conscientização das pessoas. Nesse sentido, notou a contradição existente no nascimento da MPB, que apesar do engajamento político, articulava-se dentro da dinâmica comercial, inserida no mercado musical.

Marina Caminha apresentou uma abordagem preliminar sobre as narrativas televisivas dos anos 80, tema que pretende utilizar em sua tese de doutorado. Entre os pontos levantados, destacou que, diferentemente da geração dos anos 60, que atacava duramente a cultura de massa, na década de 80 essa cultura é amplamente aceita.

Caminha chamou de "geração televisiva" os novos profissionais que começaram a atuar na televisão durante esse período, substituindo aqueles que trabalhavam no rádio e migraram para a TV em seus primórdios. Essa renovação trouxe programas que usavam a televisão para falar dela mesma, como Armação Ilimitada e TV Pirata. Também afirmou que desde os anos 90 tem havido a formação de "sujeitos televisivos", pois os telespectadores passaram a conhecer bem os códigos da televisão, mesmo que não fossem estudiosos do assunto.

Plínio Marcos Volponi fez uma breve análise sobre a formação e a sedimentação da televisão no Brasil, com destaque para a Rede Globo, que é uma emissora comercial, e a TV Cultura, de caráter público. Volponi falou sobre os benefícios fiscais e técnicos que a ditadura militar trouxe para a televisão, pois os meios de comunicação eram utilizados para difundir seus posicionamentos e dessa forma foram alvos de investimentos governamentais.

Tadeu Capistrano adiantou sua apresentação que seria realizada no dia 16 pela manhã sobre A teoria do espectador à luz das novas teorias audiovisuais, na qual observou que as pesquisas em Comunicação costumam analisar as capacidades perceptivas e cognitivas dos espectadores de modo ahistórico, sem levar em consideração o contexto sociocultural e tecnológico no qual estão inseridos. Por fim, houve debate entre os autores e demais presentes sobre as idéias abordadas durante as apresentações.

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