POR CINTHIA SAYURI
Até o fim dessa semana, alunos e professores podem aproveitar a presença de pesquisadores brasileiros da Rede Alcar e de outras nacionalidades que participam do VI Congresso Nacional de História da Mídia. Ao todo, serão apresentados 482 trabalhos, divididos por assuntos como História da TV, do rádio e de jornais.
Vale lembrar que Rede Alcar é um dos maiores projetos de pesquisa do Brasil e um dos pioneiros na América Latina para o levantamento do histórico completo das principais mídias do país. A rede se divide em 10 grupos de acordo com a mídia escolhida (TV, rádio, jornal etc) e qualquer pessoa interessada no assunto pode passar a fazer parte do grupo. Ontem, dezenas de pessoas, entre convidados, docentes e discentes, compareceram à Plenária de Constituição da Rede Alcar.
Para Marialva Barbosa, do curso Estudos de Mídia da UFF, professora há 31 anos e autora da pesquisa que resultou no livro História e Cultura da Imprensa Brasileira de 1900 a 2000, o Congresso é uma boa oportunidade para os estudantes buscarem contatos e idéias que lhe sirvam, por exemplo, como auxílio a projetos acadêmicos.
"A história é o espelho do passado para projetar o futuro. Temos que aprender com ela para não repetir os erros e aperfeiçoar os acertos", explica José Marques Melo, fundador da Rede Alcar - nome em homenagem ao jornalista Alfredo de Carvalho, que fez um estudo da mídia de todo o século XIX.
O encontro de ontem também reuniu convidados internacionais, entre eles os professores Célia Del Palacio, do México, e Juan Garguverich, do Peru. Célia é presidente da Rede de História da Imprensa Ibero-Americana em seu país e elogiou a rede de estudos de história de mídias brasileira, classificando-a como uma das "maiores do mundo" no assunto. A docente da Universidade de Guadalajara afirmou que entre os diversos pesquisadores mexicanos, há, por exemplo, médicos e enfermeiros.
Planos
Segundo Marialva, há ainda um projeto de rede entre Brasil e Argentina, que constituiria um estudo conjunto acerca da dimensão das manifestações midiáticas, nos dois países, ao relatar fatos como a chegada do homem à Lua ou o Maio de 68.
Uma das justificativas para o empenho nesse tipo de pesquisa, segundo Marialva, está no fato de a História significar muito mais que apenas datas: "Existe uma visão muito errada nesse campo. Descobrir a História com um olhar sobre os processos sociais do indivíduo possibilita melhor entendimento dos processos jornalísticos também."
Consulta
Os mais de mil estudos já produzidos estão no site da Rede Alcar.
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