segunda-feira, 19 de maio de 2008

Pesquisadores discutem passado, presente e futuro.

POR TATIANA BORGES MACHADO

Como a relação entre mídia e história será abordada nos estudos na área de comunicação? Essa foi a principal questão em debate na mesa Mídia e História: Tendências futuras. As pesquisadoras Ana Maria Mauad (UFF), Ana Paula Goulart Ribeiro (UFRJ), Sônia Virgínia Moreira (UERJ) e Lúcia Maria Alves Ferreira (UNIRIO) apresentaram e discutiram as próprias teses de pós-graduação na tarde do dia 13 de Maio de 2008, no VI Encontro de História da Mídia. A professora da UFF, Ana Lúcia Silva Enne, foi a mediadora das palestras que aconteceram no auditório da Faculdade de Educação, da Universidade Federal Fluminense.

A professora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense, Ana Maria Mauad, abriu a discussão. A tese Memórias do Contemporâneo: fotografia, intertextualidade e os tempos da história mostra a relação entre prática fotográfica contemporânea e os tempos históricos. A apresentação foi feita a partir de três fotos de presidentes brasileiros: Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e Tancredo Neves. Os fotógrafos explicavam, em gravações de áudio, como conseguiram registrar a imagem em destaque na tela e Ana Mauad contextualizava o momento e as idéia presentes no estudo.

A segunda a se apresentar foi a professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Paula Goulart Ribeiro. A partir de um panorama dos estudos sobre a história da imprensa brasileira, a professora fez um balanço dos desafios e impasses que os pesquisadores enfrentam tanto em termos teóricos como metodológicos. Ana Paula criticou o fato de poucos trabalhos históricos utilizarem a mídia como objeto de reflexão, embora os meios de comunicação sejam fontes de consulta para a maioria das pesquisas.

Para a professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Sonia Virginia Moreira, os congressos e debates sobre a imprensa são essenciais para os pesquisadores: "Quando nos reunimos em oportunidades como essa, aprendemos com os estudos dos nossos colegas e aprofundamos ainda mais nossos trabalhos, por isso, fiz questão de estar presente aqui".Sonia Virginia é autora do livro Rádio Palanque – fazendo política no ar e defendeu o resgate da história e o registro das tendências do rádio na mídia impressa e em livros. Na palestra, destacou como a consulta a revistas, jornais e livros autobiográficos é estimulante para os pesquisadores de rádio, pois ajudam a contar, por meio de diferentes versões, a história do veículo.

As palestras terminaram com o enfoque lingüístico da professora do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da UNIRIO, Lucia Maria Alves Ferreira. O objetivo da apresentação foi analisar a produção de sentidos e de memória no discurso dos meios de comunicação. Para isso, a professora examinou a forma como a mídia impressa e eletrônica abordou a libertação dos reféns colombianos. A professora quis mostrar como a imprensa cria, por meio da linguagem, "fatos que falam por si só". Depois de duas horas de apresentações, as pesquisadoras ainda responderam, por uma hora, perguntas de estudantes e de outros professores presentes no evento.