A construção da historiografia do jornalismo português, influências dessa mídia e o papel da imprensa na abolição da escravidão no Brasil foram os principais temas da palestra desta quarta-feira. Participaram da mesa o professor e jornalista Jorge Pedro de Sousa, da Universidade Fernando Pessoa, de Portugal, e Humberto Machado, pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Federal Fluminense. A mediação foi de Aníbal Bragança.
Com calorosa recepção do público presente, o professor Jorge Pedro Sousa falou sobre um projeto desenvolvido sob sua coordenação, que visa à recuperação das contribuições de autores portugueses sobre o jornalismo do país. O trabalho reúne 91 obras até o ano de 1974 e conta com diversos autores, entre eles Augusto Xavier da Silva, Alfredo da Cunha e José Manuel Tengarrinha, considerado pelo professor o introdutor da nova história do jornalismo português.
Jorge Pedro não pôde se aprofundar nos temas abordados pelas obras inventariadas, mas fez um breve resumo das contribuições para a imprensa. E destacou como ponto importante o início da mídia como instituição social, "no século XIX houve uma conscientização social e acadêmica sobre a importância do jornalismo".
Em seguida, com o foco voltado para o papel da imprensa na abolição dos escravos, Humberto Machado fez uma retrospectiva dos jornais brasileiros e contou sobre a abordagem de progresso, civilização e ciência adotada pelos jornais a partir de 1870. O professor lembrou a Gazeta do Rio de Janeiro, o que gerou uma manifestação do público, já que há controvérsias sobre a importância desse periódico, que relatava principalmente ações governamentais da corte portuguesa. Machado também falou sobre o lançamento do Correio Braziliense em Londres, em função da censura prévia que ocorria no Brasil da época.
Humberto fez alusões à exposição de Jorge Pedro e destacou semelhanças na história da imprensa do Brasil e de Portugal. O professor lembrou os 120 anos de abolição legal da escravidão e fez uma reflexão sobre as conseqüências da sociedade escravista vivida no Brasil até o século XIX, que perduram até os dias atuais.
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